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sábado, 10 de julho de 2010

Um pastor, um rei...

"Disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás pena de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche um chifre de azeite e vem; enviar-te-ei a Jessé, o belemita; porque, dentre os seus filhos, me provi de um rei." - I Samuel 16:1

Muitos conhecem Davi por ter derrotado o gigante Golias. Outros o conhecem pelo relacionamento extra-conjugal que teve com Bate-Seba. Outros ainda o lembram como pai de Salomão. Mas nem todos sabem como tudo começou.

Davi era o mais novo dos oito filhos de um homem chamado Jessé. Ninguém sabia ainda, mas Deus o havia escolhido para ser o rei. E enviou o profeta Samuel para dar essa notícia à família. Quando Jessé soube disso, mandou chamar seus filhos e um a um, a partir do mais velho, foram levados a Samuel.

O profeta de Deus até que se animava quando via os belos e fortes rapazes. Inclusive, ao ver o primeiro, Eliabe, pensou logo: "Certamente, está perante o Senhor o Seu ungido". Mas Deus logo mostrou que não era aquele, dizendo a Samuel: "Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração" (I Samuel 16:7).

E assim, um a um os filhos passavam, e Samuel dizia: "Não é este". Por fim, não restava mais ninguém. E Samuel perguntou a Jessé se ainda havia outro filho, pois a nenhum daqueles o Senhor havia escolhido. E sim, havia outro. O mais novo, que era pastor e se chamava Davi.

Sempre que chego nessa parte da história, lembro de Cinderela. Quando o príncipe chegou na casa em que ela morava com sua madastra e meias-irmãs, claro que a madastra falou que não havia mais ninguém porque não queria que uma pobre escrava fosse princesa no lugar de suas filhas. No caso de Jessé, talvez ele não imaginasse que Deus escolheria justo o mais novo, mais franzino, um simples pastorzinho. Mas foi o que Deus fez. Quando Davi entrou, o Senhor disse a Samuel: "Levanta-te e unge-o, pois este é ele. Tomou Samuel o chifre do azeite e o ungiu no meio de seus irmãos; e, daquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apossou de Davi" (I Samuel 16:12-13).

Às vezes, pensamos que não somos ninguém. Não temos importância, não valemos a pena, nem nossos pais "botam fé" em nós. E isso vai fazendo nossa autoestima cair até chegarmos no fundo do poço. Mas a verdade é que, quando Deus quer nos usar, ele não se importa com o que os outros pensam. Não importa se o acham muito fraco, muito simples, muito bobo. O homem vê o que está por fora; só Deus pode ver o que está dentro de cada um de nós. Por isso, não pense de si o que os outros pensam, mas procure ver como Deus vê. Peça a Ele essa capacidade. Não para se tornar arrogante, e sim para dar a si mesmo o valor que tem. Lembre-se disto: onde o homem vê só um pastor, Deus enxerga um rei...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ascendência de Cristo - parte IV: Bate-Seba

“Davi mandou perguntar quem era. Disseram-lhe: É Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu.” (II Samuel 11:3)

Continuando a genealogia de Cristo, quero falar hoje sobre a quarta mulher mencionada. Mateus não diz o nome de Bate-Seba, mas fala “o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias;” (Mateus 1:6). Sabemos, então, que se trata dela, pelo texto de II Samuel.

É outra de quem não se fala muito. Apenas sabemos seu nome, que significa “filha de um juramento”, e que era casada, quando foi vista por Davi, banhando-se. Vista e logo desejada.

Não sabemos por que Bate-Seba resolveu tomar banho naquele horário e ainda mais de forma tão exposta que foi vista do terraço da casa real. O que sabemos é que o rei Davi a desejou, e mandou chamá-la. Logo em seguida, a Bíblia fala que se “ela veio, e ele se deitou com ela” (II Samuel 11:4).

Realmente não há como saber se havia alguma forma de Bate-Seba negar aquele “convite”. Ela poderia sofrer alguma penalidade por não obedecer ao rei, é verdade. Não sabemos se ela foi feliz da vida, ou somente porque era “obrigada”. Não sabemos se o que ela fez foi para provocar o rei, ou se foi apenas ingênua. O que sabemos é que aquilo foi errado. Foi adultério. E de uma coisa podemos ter certeza: tanto Davi como Bate-Seba sabiam que estavam cometendo algo impuro aos olhos de Deus. Ainda mais quando pensamos que, enquanto eles faziam aquilo, o esposo de Bate-Seba, Urias, estava nos campos de batalha, lutando pelo reinado de Davi. Davi este que fez com que Urias fosse colocado em posição tal que morreria rapidamente.

Adúltero e assassino. Esse era o Davi naquele momento. Adúltera, era assim que poderíamos denominar Bate-Seba naquela situação em que se encontrava. E ainda assim, tiveram a honra de ser antepassados do Cristo. É estranho, para não dizer terrível, para muitos ver que essas pessoas acabaram sendo lembradas dessa maneira, ou seja, como aqueles cuja linhagem levou a Jesus.

Mas, paremos um pouco e pensemos em nós: somos mesmo tão melhores que Davi e Bate-Seba naquela situação? Sim, porque depois se arrependeram e voltaram ao que era correto. Casaram-se e tiveram Salomão como filho, o homem mais sábio que já existiu na face da Terra. Mas, voltando à pergunta: somos melhores que eles? Somos isentos de pecado? Somos “perfeitos”? Sabemos a resposta. Nós, mesmo que sejamos crentes há anos, somos tão pecadores e impuros quanto foram Davi e Bate-Seba. E o que a Bíblia diz de nós? “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus” (I João 3:1). Merecíamos isto? Não, nem antes nem agora. Somos maus e pecadores, mas Deus nos chama de filhos.

Que você, ao ler sobre Bate-Seba na genealogia de Cristo, não fique indignado de ver ali uma pecadora, mas louve a Deus pelo Seu tão grande amor por nós, “a ponto de sermos chamados Seus filhos”.

“Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias;” – Mateus 1:6, genealogia de Cristo.

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