Hoje, Deus me deu mais uma lição. O ônibus que sai da cidade onde trabalho, e me traz de volta pra casa todos os dias, em vez de chegar às 16h, como de costume, chegou depois das 17. Isso já me deixou chateada, porque eu só ia chegar em casa depois das 18, ainda mais com todo o engarrafamento que acontece nesse horário.
Como se não bastasse, ao ligar pro meu esposo, pra comunicar o fato, ele teve que desligar porque estava no trânsito e havia guardas na rua, que poderiam multá-lo. Ao ligar depois de um tempinho, e perceber que ele não atendia, fiquei muito preocupada, achando que tinha sido pego numa blitz e multado, e comecei a pensar em um monte de coisas que poderiam acontecer por causa disso. Nervosa é pouco pra descrever como me senti, mas não queria que todo mundo do ônibus percebesse o ocorrido.
Comecei a ficar chateada e até triste com Deus. Interessante. Magoamos Deus o tempo todo, fazendo o que Ele não gosta. E ainda inventamos desculpas pra isso, racionalizando tudo. E ele nunca deixa de nos amar. Fica triste, mas continua "indo atrás" da gente, buscando um pouquinho de nossa atenção. E não se cansa nessa busca. Nunca deixa a gente de lado.
Mas nós, ah como nós somos egoístas. Enquanto as coisas vão do jeito que queremos, tudo bem. Às vezes, tudo TÃO bem que nos esquecemos dEle. Agora, se alguma coisa, por menor e mais sem importância que seja, foge ao nosso controle e sai de um jeito que não esperávamos, a quem nos voltamos para culpar? Sim, a Deus, que não tem culpa de nada. "Tu não és um Deus que tenha prazer na iniquidade, nem contigo habitará o malvado" (Sal. 5:4), é o que diz a Bíblia. Deus não gosta do que é ruim, muito menos do que é ruim pra nós. Se você quer saber quem é o causador do mal, dê uma lida em Jó 1 e entenderá.
O interessante é que depois que cheguei e meu esposo me pegou, conversamos, ele explicou melhor o que havia ocorrido (tinha conseguido falar com ele pelo celular de novo, mas não deu pra entender tudo), cheguei em casa, tomei aquele banho restaurador, e fiz um culto de por-do-sol de Sábado maravilhoso, coisa que não experimentava havia um bom tempo.
Não é de Deus a culpa das coisas que nos acontecem, e nem devemos reclamar por tão pouco. Precisamos aprender, como Paulo, a nos contentarmos em toda e qualquer situação (Filipenses 4:11), e lembrar sempre que:
"Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade!" - Lamentações de Jeremias 3:22-23, NVI
Fazia tempo que não me sentia tão bem como me senti ontem. Deitada num colchão no chão, na sala onde ficam o computador e o armário de livros, e que também serve de quarto de hóspedes, eu fiquei de frente pra janela aberta, que servia de moldura para um lindo céu azul.
Ao som de tranquilas músicas, fiquei ali, somente a contemplar o céu, quando surgiram pássaros voando. A sensação foi maravilhosa. Sou da cidade grande, morava em apartamento, a janela do meu quarto, como da maioria dos apartamentos hoje, é muito pequena. Na varanda, eu às vezes podia me dar ao luxo de olhar o céu à noite, mas a poluição não me permitia ver as estrelas como gostaria.
Agora, morando numa cidade mais afastada dos grandes centros, com um janelão enorme e um colchão colocado em posição favorável - algo que não foi intencional - acabei tendo o privilégio de ficar bem de frente para o lindo céu, e contemplar um dos vários presentes de Deus para mim. Momento único, perfeito. Sem falar nada, sozinha, pude louvar a Deus pela Sua criação e pela felicidade que aqueles instantes me trouxeram.
Mas o que me impressionou é que, fosse qualquer outro dia da semana, eu não poderia estar fazendo isso. Aos domigos, geralmente me sinto tão entediada que provavelmente não teria ânimo para tal. Durante a semana, nem pensar. Trabalhando de manhã e à tarde, eu não poderia me dar ao luxo de parar durante a manhã para fazer o que fiz. Mas era sábado. "...porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou." (Êxodo 20:11)
O sábado é aquele momento especial que Deus nos deixou para celebramos Seu amor, Seu sacrifício e ressurreição, para colocarmos em prática o amor ao próximo. Mas também é um momento para descansarmos e nos deixarmos restaurar por Ele para uma nova semana. Se não fosse o sábado, eu provavelmente não teria momentos assim. Agradeço a Deus por esse dia, prova clara do imenso amor dEle por mim. Você também pode experimentar a maravilha que é ter um dia só pra ficar juntinho do Pai que te criou e te ama. Tente. Tenho certeza que não irá se arrepender.
"Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então, te deleitarás no SENHOR. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do SENHOR o disse." (Isaías 58:13-14)
O que é ser cristão? Será que é obedecer a um monte de regras? Será que é viver se impondo sofrimentos e sacrifícios? Ou será que ser cristão é andar, falar, vestir-se e comer dessa ou daquela maneira?
Embora alguns ainda pensem dessa forma, ser cristão vai bem mais além de tudo isso. Ser cristão, usando um jargão, é um "estilo de vida". É tudo. Não é uma coisa que você diz, não é algo exterior apenas, não é somente seguir um conjunto de regras. É a sua vida toda.
Infelizmente, parece que hoje em dia há uma grande quantidade de pessoas que se intitulam cristãs mas que não entendem isso. Acham que o cristianismo é algo que se mostra. Uma roupa, uma comida, uma regra. E só. Já outros dizem "sou cristão", mas vivem alienados de tudo que tem a ver com ser cristão de verdade. Não sei se estou errada, mas esses é que me incomodam mais.
Procuram Deus apenas quando precisam, louvam-nO apenas quando Ele faz algo que elas querem. Durante todo o restante de tempo, vivem como se Ele não existisse! Não estão "nem aí" pra nada que diga respeito a Deus. Não se envolvem com atividades que poderiam fortalecer sua fé, não falam de Deus, só pensam em trabalho e/ou diversão. Deus? Só um estepe. Frases cristãs que aqueceriam o coração de alguém que as lesse? Que nada, isso é brega. Falar sobre Deus, ainda que via internet, onde você não precisa "mostrar a cara"? Deus me livre (aí, lembram-se dEle...)!
Agora, apesar de nunca "terem tempo" para Deus, sempre têm para as suas mais diversas atividades. Mas o que mais me irrita é que quando "a coisa aperta", clamam por Ele, pedem oração, fazem romaria e correm para todos os santos que puderem encontrar pela frente. Que vida interessante! Será que é assim que a gente se dedica a quem ama - ou diz que ama? Duvido que dure mais que um ano o casamento em que um dos cônjuges só busca o outro quando precisa - e geralmente quem só vai atrás de Deus quando precisa, age assim com os amigos e outras pessoas.
Mas o melhor disso tudo é que Deus não se importa. Mesmo que você não esteja se importando muito com Ele, Ele sempre está atrás de você. Ele se preocupa, Ele cuida, Ele abençoa, Ele tenta de todas as formas possíveis e imagináveis chamar a tua atenção. E mesmo que você se volte a Ele só por pouco tempo, e depois retorne àquela vida sem Deus e sem graça, Ele não fica bravo. Parte em busca de você novamente, e vai fazer isso quantas vezes forem necessárias para que você entenda o quanto te ama.
"Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração."— Hebreus 4:7
Um virtuoso (do Latimvirtus, que significa: virtude, habilidade, excelência) é um indivíduo que possui uma habilidade fora do comum quando utilizando um instrumento musical.
Quando pensamos na nossa vida, na criação do Pai, não tem como não pensamos no virtuoso. Aquela pessoa que, quando realiza sua obra - no caso, tocar um instrumento - a faz de maneira tão maravilhosa que todos ficam extasiados ao contemplá-la.
Assim é com Deus. Tudo que Ele faz é maravilhoso, tudo é perfeito. Como diz uma canção, "não há uma nota de mediocridade em toda a Sua criação". Consegue você imaginar Deus criando esse mundo? Deve ter sido algo lindo de se ver! Cada detalhe observado com cuidado. Momentos calmos, delicados, como quando criou a borboleta ou as flores, alternados com momentos de intensidade única, como ao criar o rugido do leão, ou o oceano. Com toda a certeza, bem melhor do que ficar observando qualquer 'virtuoso' de hoje tocando um violino, por exemplo. Não é à toa que Paulo fala que, mesmo quem nunca ouviu nada sobre Deus, ainda assim não tem desculpa, pois existe a natureza para revelá-lO:
"Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis;" (Romanos 1:20).
A própria natureza - mesmo após milênios de pecado - ainda revela o poder de criação de Deus, toda Sua criatividade, diversidade e amor por nós. Mas a "virtuosidade" de Deus não se limita só à criação do que está ao nosso redor. Deus nos criou. E nos recria a cada dia, nos dando vida, novos pensamentos, nova motivação para viver, renovando nossa comunhão com Ele.
Se virtuoso é um indivíduo que possui uma habilidade fora do comum quando utilizando um instrumento musical, Deus é o Virtuoso das nossas vidas. Deus é quem nos toca, Deus é quem conhece a canção de nossa vida. Deixe Ele te tocar, e conduzir a melodia da maneira maravilhosa que só Ele sabe...
Eu acho que nunca escrevi algo tão íntimo. A meditação anterior foi um pouco, mas não tanto quanto acredito que essa será. Mas a verdade é que apenas falar com um e outro sobre o que te aflige - ainda que seja com o esposo e você tente falar tudo que sente e pensa - às vezes não é suficiente. Sou do tipo que parece que tem que escrever para externar perfeitamente. Não é à toa que faço parte de uma comunidade do orkut que se chama: "Escrever é minha terapia". Mas quero escrever hoje não apenas para desabafar, mas porque creio que haja alguém que pode vir a se identificar com o que estou passando, e pode ser que se sinta melhor após ler.
O fato é que ando em dúvida. Ando como quem andaria sobre uma nuvem, se isso fosse possível. O tempo todo com medo de afundar e cair numa queda sem fim. Ando sem saber o que fazer, o que pensar. Tenho medo até de dizer, mas talvez ande sem fé também.
Sempre fui daquele tipo de pessoa que adora pregar, se envolver nas atividades da igreja, viajar com o coral. E quando fazia qualquer uma dessas coisas, sempre me pegava pensando por que havia demorado tanto a aceitar a Deus em minha vida, pois poderia estar desfrutando desses momentos há mais tempo. Depois que meu esposo veio fazer Teologia, e nos mudamos, parece que esse meu "eu" ficou para trás. Simplesmente deixei tudo isso de lado. Até ir à igreja aos sábados pela manhã se tornou penoso. Não mais me envolvi em pregações (preguei uma vez, apenas, depois de me mudar, e lá se vão mais de três anos), não canto mais em coral, não me envolvo tanto em atividades eclesiásticas como fazia...
Claro, a mudança de vida foi, em grande parte, responsável por tudo isso. Comecei a trabalhar e depender de mim mesma, e não de meus pais, como era antes. Tive que passar a conviver com a realidade de ser esposa, cuidar de uma casa, pagar contas. Tudo isso é muito bom, mas também cansa e estressa muito. Pelo fato de meu esposo fazer Teologia, a cada sábado (antes era a cada semestre) estamos numa igreja diferente, o que dificulta a criação de vínculos e, consequentemente, o envolvimento na igreja. Por esse fato, também não posso participar do coral daqui, pois envolve muita atividade, coisa para a qual eu não teria tempo.
No começo, isso parecia normal. Afinal, eu ia para a igreja todo sábado, estudava a lição e orava, dava o dízimo. Fazia o que um cristão deve fazer. Mas hoje fico pensando em quanto poderia ter feito, em que outras atividades alternativas poderia ter me envolvido, se não tivesse sido tão medrosa ou preferido ficar na "zona de conforto". Tais atividades talvez nem fossem tão complicadas, cansativas ou difíceis, como eu imaginava. Mas o fato é que a sensação é de que "agora é tarde". Pode ser que não seja, mas é o que sinto. E ler a Bíblia, estudar a lição, orar, isso não é tudo. Sinto falta de algo mais, que não sei bem explicar o que é. Quero sentir Deus, em vez de apenas saber que Ele está comigo e que ter conhecimento disso é o suficiente. Quero ouví-lo, tocá-lo...
Outra coisa que me incomoda é o fato de não sabermos bem o que vai acontecer quando meu esposo se formar. Na nossa denominação, quando alguém se forma em Teologia, é chamado para alguma igreja que necessite de um pastor. Acontece que ainda não sabemos que lugar é esse, no nosso caso. Meu esposo, que tem sonhos de fazer mestrado e doutorado, ainda não sabe como nem quando vai fazer isso. Eu, que não tenho grandes ambições para minha carreira, apenas quero fazer residência, preciso ir para um lugar em que possa prestar o concurso, mas tenho medo, pois não sei para onde iremos.
Com todo esse turbilhão de coisas, tenho ficado muito ansiosa (até insônia, coisa que eu nunca tive, estou tendo agora), e também muito triste. E talvez nem devesse ficar tanto na internet, mas ela até que me ajuda a espairecer. E foi então que tive a ideia de escrever essa meditação. Não só para me ajudar, como falei antes, mas para ajudar outros. Para fazer algo de útil com essas coisas que estou vivendo. Não tenho as respostas. Não sei o que Deus quer de mim. Queria ter certeza de que estou no caminho certo, de que Ele quer que meu esposo seja mesmo um pastor/professor, de que nossa vida deve ser para serví-lO em Sua obra. Quero muito isso, mas ainda não consegui. Não entendo o porquê de tanta angústia e me culpo por não ter fé. Mas ouvi duas músicas que me ajudaram a refletir e se não deram todas as respostas que eu queria, pelo menos fizeram com que eu começasse a refletir não no "porquê", mas no "para que" de tais fatos terem lugar em minha vida.
Não sei o que você está vivendo agora, mas não importa. Deus está conosco, TODO o tempo. Ele sabe de todas as coisas. Nada pode nos separar dEle. Mesmo que não sintamos, está ao nosso lado. Confie nisso, e ouça essas canções. Medite nelas, e creia:
"Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor."— Romanos 8:38-39
"Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos."— Romanos 8:24-25
Ontem, antes de dormir, pensei em várias coisas. Foram tantas que nem me lembro de todas. Mas hoje, estudando a lição da escola sabatina, deparei-me com uma pergunta que tem tudo a ver com o que senti na noite passada: Quando você fez pela última vez uma boa avaliação de si mesmo, seus motivos, suas ações e seus sentimentos? Essa pode ter sido uma experiência muito dramática, não pode? Qual é sua única esperança?
Ontem fiz essa autoavaliação. E fiquei mesmo me sentindo mal. Triste por saber quão falha e pecadora sou. Como diz a Bíblia, "Não há justo, nem um sequer"(Romanos 3:10).
Isso nos deixa cabisbaixos. "Todos pecaram e carecem da glória de Deus". A frase de Paulo até hoje ecoa em nossos corações, relembrando-nos de quão miseráveis somos. E mesmo se somos cristãos e conhecemos a Bíblia, não estamos isentos de culpa: "Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas. Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas. Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais coisas e fazes as mesmas, pensas que te livrarás do juízo de Deus? (...) e, porém, tu, que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; que conheces a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído na lei; que estás persuadido de que és guia dos cegos, luz dos que se encontram em trevas, instrutor de ignorantes, mestre de crianças, tendo na lei a forma da sabedoria e da verdade; tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Dizes que não se deve cometer adultério e o cometes? Abominas os ídolos e lhes roubas os templos? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa" (Romanos 2:1-3, 7-24).
É tão triste ler isso. Ainda mais quando me lembro de que julgar é um dos meus piores defeitos. Fico procurando erros nos outros, seja pra mostrar que eu sou melhor, ou porque não me acho "lá essas coisas", e fico querendo diminuir os outros para me sentir um pouquinho melhor, seja porque tenho baixa autoestima e não me sinto bem como pessoas que parecem não ter esse problema, e tento ver algum defeito em quem parece não ter nenhum, como forma de me consolar... São tantas as justificativas, mas nenhuma torna aceitável essa atitude que não só eu, mas tantos de nós temos.
Mas fico feliz em saber que há salvação para nós também. Louvado seja Deus por isso. Apesar de sermos maus, Deus é sempre bom para conosco. Veja o que encontrei nessa lição que estudei hoje:
Embora sejamos maus, nossa situação não é sem esperança. O primeiro passo é reconhecermos nossa absoluta pecaminosidade e também nossa incapacidade de fazer qualquer coisa por nós mesmos a esse respeito. É obra do Espírito Santo provocar essa convicção. Se o pecador não Lhe resistir, o Espírito o levará a se desfazer da máscara de autodefesa, presunção e justificação própria e lançar-se sobre Cristo, pleiteando Sua misericórdia: “‘Ó Deus, sê propício a mim, pecador!’” (Lc 18:13).
Aleluia! Há esperança, mesmo para quem se acha o maior dos pecadores! Se nos arrependermos e buscarmos a Deus, Ele é misericordioso para não só nos aceitar, como nos transformar. Não sei qual é seu defeito, se é a hipocrisia, o julgamento, a ira, a inveja, a contenda, a luxúria... O que sei é que sempre há uma solução. E o nome dela é Cristo. Busque-o, clamando, ‘Ó Deus, sê propício a mim, pecador!’, e verá que a resposta virá prontamente. Há esperança para todos nós. Que alegria, pois Deus nos ama, apesar de sermos quem somos. Mandou Seu filho para morrer por nós, e agora temos direito ao que Ele tinha e abriu mão para vir aqui nos salvar. Que Deus maravilhoso!
“Davi mandou perguntar quem era. Disseram-lhe: É Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu.” (II Samuel 11:3)
Continuando a genealogia de Cristo, quero falar hoje sobre a quarta mulher mencionada. Mateus não diz o nome de Bate-Seba, mas fala “o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias;” (Mateus 1:6). Sabemos, então, que se trata dela, pelo texto de II Samuel.
É outra de quem não se fala muito. Apenas sabemos seu nome, que significa “filha de um juramento”, e que era casada, quando foi vista por Davi, banhando-se. Vista e logo desejada.
Não sabemos por que Bate-Seba resolveu tomar banho naquele horário e ainda mais de forma tão exposta que foi vista do terraço da casa real. O que sabemos é que o rei Davi a desejou, e mandou chamá-la. Logo em seguida, a Bíblia fala que se “ela veio, e ele se deitou com ela” (II Samuel 11:4).
Realmente não há como saber se havia alguma forma de Bate-Seba negar aquele “convite”. Ela poderia sofrer alguma penalidade por não obedecer ao rei, é verdade. Não sabemos se ela foi feliz da vida, ou somente porque era “obrigada”. Não sabemos se o que ela fez foi para provocar o rei, ou se foi apenas ingênua. O que sabemos é que aquilo foi errado. Foi adultério. E de uma coisa podemos ter certeza: tanto Davi como Bate-Seba sabiam que estavam cometendo algo impuro aos olhos de Deus. Ainda mais quando pensamos que, enquanto eles faziam aquilo, o esposo de Bate-Seba, Urias, estava nos campos de batalha, lutando pelo reinado de Davi. Davi este que fez com que Urias fosse colocado em posição tal que morreria rapidamente.
Adúltero e assassino. Esse era o Davi naquele momento. Adúltera, era assim que poderíamos denominar Bate-Seba naquela situação em que se encontrava. E ainda assim, tiveram a honra de ser antepassados do Cristo. É estranho, para não dizer terrível, para muitos ver que essas pessoas acabaram sendo lembradas dessa maneira, ou seja, como aqueles cuja linhagem levou a Jesus.
Mas, paremos um pouco e pensemos em nós: somos mesmo tão melhores que Davi e Bate-Seba naquela situação? Sim, porque depois se arrependeram e voltaram ao que era correto. Casaram-se e tiveram Salomão como filho, o homem mais sábio que já existiu na face da Terra. Mas, voltando à pergunta: somos melhores que eles? Somos isentos de pecado? Somos “perfeitos”? Sabemos a resposta. Nós, mesmo que sejamos crentes há anos, somos tão pecadores e impuros quanto foram Davi e Bate-Seba. E o que a Bíblia diz de nós? “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus” (I João 3:1). Merecíamos isto? Não, nem antes nem agora. Somos maus e pecadores, mas Deus nos chama de filhos.
Que você, ao ler sobre Bate-Seba na genealogia de Cristo, não fique indignado de ver ali uma pecadora, mas louve a Deus pelo Seu tão grande amor por nós, “a ponto de sermos chamados Seus filhos”.
“Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias;” – Mateus 1:6, genealogia de Cristo.
“Quem beber desta água tornará a ter sede” (João 4:13)
Tentando responder a um questionamento de um companheiro do jornadear cristão, volvi meus olhos mais uma vez à tão conhecida história de Jesus e a mulher samaritana (João 4:1-42).
Jesus, diferente dos homens de sua época, não se importava de conversar com mulheres (mesmo que essas não fossem tão “santas” como se esperava das mulheres naquela época), muito menos com samaritanos – inimigos declarados dos judeus, dos quais Jesus fazia parte. Nessa história, desde o começo vemos que Jesus não dava qualquer importância a preconceitos e tradições infundadas. Primeira lição a aprender...
Depois, ao continuarmos lendo o texto, vemos que Jesus pede água à mulher, ao que ela responde: “Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana (porque os judeus não se dão com os samaritanos)?” (João 4:9). E Jesus diz: “Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” (João 4:10). É como se Ele dissesse que não Se importava nem um pouco com convenções humanas, e que o que Ele tinha para dizer era bem mais importante. Creia, se você sentir que Deus está falando, não comece a criar empecilhos, o que Ele tem a dizer é importante, e você precisa ouvir.
A princípio, notamos que a mulher não entende bem o que Jesus quer dizer. Pensa que Ele estava falando da água comum, H2O, que bebemos todos os dias. Mas Jesus pediu água apenas como um pretexto para falar com ela sobre coisas maiores e mais importantes. E logo revela a que veio: diz à mulher que sabia que ela não era casada, e que já havia tido cinco maridos. Surpreendeu aquela mulher, revelando coisas que Ele não podia saber, a não ser que fosse ao menos um profeta, como a mulher constatou logo. Conquistando dessa forma a atenção total daquela samaritana, Jesus se mostra como o Messias esperado também pelos inimigos dos judeus. A partir daí, aquela mulher torna-se uma missionária, convidando todos a quem podia para conhecerem o Cristo vivo.
Mas talvez o momento mais importante desse relato não tenha sido este, e sim quando Jesus disse: “Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (João 4:13-14). Como a mulher, podemos nos perguntar: que água é essa que mata a sede para sempre? Essa água é a vida plena que só Jesus pode dar. A paz, a plenitude, a felicidade, a confiança, que só existem naquele que realmente recebe a Fonte de águas vivas, Jesus. O mundo nos traz muitas aflições, medos e angústias. Sentimos um vazio que nada nem ninguém consegue preencher. Mas quando recebemos dessa “água”, isso desaparece. Esse vazio vai embora, pois é preenchido por Cristo. Não importa quantos “desertos” tenhamos que atravessar, pois o nosso “cantil” estará sempre cheio. Se tivermos Jesus em nossa vida, não mais sentiremos essa sequidão em nosso coração, porque Jesus é a Água Viva, que hidrata e nunca se acaba.
Mas não é só isso: essa água é tão abundante que pode ser distribuída a outros. Quando uma pessoa decide aceitar Jesus em sua vida, ela agora passa a espalhar alegria e paz por onde vai. Foi o que aconteceu com a mulher. Ela avisou a todos que conhecia que tinha finalmente encontrado o Messias. Essas pessoas foram ver Jesus, e depois passaram a crer não porque a mulher tinha falado, mas porque eles mesmos tinham-no visto e reconhecido como Salvador...
Para terminar, um texto da escritora americana Ellen White:
“Aquele que busca matar a sede nas fontes deste mundo, beberá apenas para tornar a ter sede. Por toda parte estão os homens descontentes. Anseiam qualquer coisa que lhes supra a necessidade da alma. Unicamente Um lhes pode satisfazer essa necessidade. O que o mundo necessita é "o Desejado de todas as nações", é Cristo. A divina graça que só Ele pode comunicar, é uma água viva, purificadora, refrigerante e revigoradora da alma. (...)Essa mulher representa a operação de uma fé prática em Cristo. Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário. Aquele que bebe da água viva, faz-se fonte de vida. O depositário torna-se doador. A graça de Cristo na alma é uma vertente no deserto, fluindo para refrigério de todos, e tornando os que estão prestes a perecer, ansiosos de beber da água da vida.” (Ellen White, O Desejado de Todas as Nações, págs. 187 e 195)
Tenho uma amiga que disse hoje: “Gente que usa Deus e/ou os amigos como muleta. Quando supõe que pode suprir suas necessidades egoístas com outras coisas, deixa-os de lado. Eu conheço!” Quão triste fiquei ao constatar que eu também conheço pessoas assim.
Triste, sim, pois isso não é motivo de felicidade. Saber que as pessoas parece que usam não só seus supostos amigos, como também Deus. Usam enquanto creem que deles necessitam, depois esquecem-se deles, como quando a gente joga o lixo fora, e nem se lembra mais do que vai ali dentro.
O fato é que pessoas não deveriam ser usadas. São seres humanos com sentimentos como você, e da mesma forma que você, choram, sofrem, cansam, ferem-se... E não adianta dizer que você não gosta de gente muito “sensível”, pois todos somos “muito sensíveis” vez ou outra. E do mesmo modo que sofremos quando achamos que somos injustiçados ou quando alguém parece nos usar, podemos esperar que os outros sintam a mesma coisa quando somos nós que temos essas atitudes para com eles. Se você quer um ombro amigo para chorar, desabafar ou questionar-se, lembre-se de ser tudo isso para a pessoa que te ajudou, se ela precisar. Não simplesmente a ignore, como se nem a conhecesse. É muito feio obter favores e não ser agradecido, não apenas com um ligeiro “obrigado”, mas com atos de carinho.
Agora, o pior mesmo, é achar que pode usar Deus. Orar, pedir e chorar quando precisa, só para deixá-lO de lado pouco tempo depois, quando tudo parece ter voltado ao normal. Prometemos que seremos os melhores se Deus fizer assim ou assado. Mas o que acontece é que, quando obtemos aquilo que tanto desejávamos, a oração, a leitura da Bíblia, a fé, a comunhão com o Senhor, enfim, vai tudo para o lixo. Ignoramos Deus de uma forma tal que somos capazes de fazer tudo o que O entristece, sem nos importamos nem um pouco com isso.
Eu não sou perfeita. Não estou escrevendo isso para dar “lição de moral” em ninguém. Tenho meus defeitos, assim como todo membro da raça humana, mas não consigo entender usar pessoas e Deus, e achar tudo muito natural. Não posso aceitar essa atitude, ela me deixa indignada. E não porque a pessoa errou. Errar todos erramos. Mas quando nos damos conta, voltamos atrás, pedimos perdão, buscamos o arrependimento sincero e voltamos nossos olhos a Deus. Mas os “usurpadores”agem como se o que fizessem fosse normal, e nem sequer entendem que há motivos para se arrependerem.
Não sei se esse é o seu caso. Mas se for, não se turbe. Deus não o odeia, apesar de você achar que pode usá-lO como muleta, como disse minha amiga. Ele o ama, não importa o que você faça. Peça a Ele que mostre onde você está errando, onde precisa se corrigir, e aceite a mão que Ele oferece para você agarrar. Torne-se verdadeiramente dependente dEle – e não apenas quando lhe convém –, deixe-O guiar sua vida, aceite Seus conselhos amorosos para uma vida feliz, e espalhe alegria por onde passar. Lembre-se: “Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente. (...) Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.”– I João 2:17, 4:7-8
Hoje assisti a um filme em que uma adolescente, enganada por um homem na internet (onde ela entrava em sala de chats e conversava sobre vários assuntos, inclusive sexo, pelo que o filme dá a entender), acaba sendo sequestrada por ele e obrigada a fazer filmes pornográficos caseiros.
Quando é finalmente encontrada, a moça olha para a mãe e começa a dizer que fez algumas coisas que não havia contado. E antes que termine, a mãe põe as duas mãos em seu rosto e diz que nada do que a garota tivesse feito faria com que ela - a mãe - deixasse de amá-la.
Emocionei-me ao lembrar do amor de Deus por nós, que é do mesmo jeito e ainda maior. Por mais que erremos (e como erramos!), Deus nunca deixa de nos amar. Ainda que não o amemos, Ele sempre está correndo atrás de nós, implorando por ser notado, gritando o quanto nos ama e que não quer viver sem nós.
Isso quer dizer que, depois que aceitamos esse amor poderemos viver como quisermos, continuarmos no erro e fazermos tudo que der na telha? Claro que não, agora que encontramos o Verdadeiro Amor, vamos querer fazer tudo que O agrada, assim como fazemos com as pessoas que amamos. Mas quer dizer que, mesmo que caiamos vez após vez - e vamos cair, uma vez que somos pecadores - Ele NUNCA deixa de nos amar.
Existe maneira de não corresponder a um amor assim? Não vejo como. O maior amor que Alguém pode ter por nós, um amor tão imenso a ponto de dar a vida, e vida eterna. Um amor - o amor, na verdade, o único amor - que nos aceita como somos, que não leva em conta erros passados e que busca sempre o nosso melhor. Esse é o verdadeiro amor de Deus.
“nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele.”– I João 4:16
Muita gente acha que a Bíblia e Deus são machistas. Não se pode negar que os longos anos em que os livros que a compõem foram escritos foram marcados, sim, por um menosprezo ao sexo feminino. E isso foi retratado na Palavra Sagrada. Mas não quer dizer que nosso Pai apóie esse tipo de comportamento. Para Ele, somos todos iguais: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”(Gálatas 3:28).
Para desmistificar isso, quero hoje começar uma série de reflexões que nos mostram que Deus ama as mulheres da mesma forma que os homens, que Ele não é machista e por isso mesmo deu a elas um lugar especial na genealogia de nada mais nada menos que Cristo, Seu Filho amado.
Se formos ler Mateus 1:1-16, veremos que se fala de muitos homens. As genealogias de "antigamente" pareciam só ter espaço para eles. Mas não a de Jesus. São citados muitos homens sim, mas há seis especiais mulheres também. E quero iniciar com a primeira que foi mencionada: Tamar.
Tamar era uma mulher comum. Não se fala muito sobre ela na Bíblia. Sabe-se que ela foi escolhida por Judá (filho de Jacó) para casar-se com seu filho mais velho, Er. E é aí que a vida dessa mulher dá uma reviravolta. Er morreu, e Judá fez Tamar casar-se com seu segundo filho, Onã. Mas como ele não queria dar filhos a Tamar, acabou morrendo também, por desagradar a Deus. E Judá então promete que daria seu filho mais novo, Selá, para se casar com Tamar, assim que ele tivesse idade.
Porém Selá fica adulto e nada acontece. Tamar, então, disfarça-se de prostituta, ficando com o rosto coberto, e vai para o caminho onde sabia que Judá iria passar. Dormem juntos, e ela engravida do sogro, que havia deixado com ela, a seu pedido, o selo, o cordão e o cajado. Quando descobriram sua gravidez, passaram a acusá-la de adultério, e Judá ordenou que fosse queimada. E Tamar, mostrando os objetos de Judá que estavam com ela, disse: "Do homem de quem são estas coisas eu concebi." Judá reconheceu que eram dele, e disse: "Mais justa é ela do que eu, porquanto não a dei a Selá, meu filho." Assim Tamar deu à luz Perez e Zera, suscitando descendência a Judá e sendo mãe daquele que seria ascendente de Jesus.
Tamar pode ter agido de forma absurda para muitos de nós, mas precisamos entender que a cultura da época era aquela, e mesmo cometendo o erro de deitar-se com seu sogro, ela foi colocada na genealogia de Jesus para mostrar que não importam nossos erros ou nosso passado, Deus vê o que vai no coração, nossas reais intenções, e recompensa não os "perfeitos", que acham que nunca erram, mas aqueles que procuram fazer a Sua vontade.
“Judá gerou de Tamar a Perez e a Zera;”– Mateus 1:3, genealogia de Cristo
“Ele foi rejeitado e desprezado por todos; ele suportou dores e sofrimentos sem fim. Era como alguém que não queremos ver; nós nem mesmo olhávamos para ele e o desprezávamos. No entanto, era o nosso sofrimento que ele estava carregando, era a nossa dor que ele estava suportando. E nós pensávamos que era por causa das suas próprias culpas que Deus o estava castigando, que Deus o estava maltratando e ferindo. Porém ele estava sofrendo por causa dos nossos pecados, estava sendo castigado por causa das nossas maldades. Nós somos curados pelo castigo que ele sofreu, somos sarados pelos ferimentos que ele recebeu.” Isaías 53:3-5
Essa é a verdadeira Páscoa. Libertação do pecado. Libertação das cadeias de morte. Tudo graças ao maior sacrifício que esse mundo e o universo já viram: a morte de Jesus em nosso lugar. Isso deveria ser tema de nossas reflexões, e motivo de nossos maiores louvores e nossa gratidão eterna. Não há maior amor que esse. Ninguém pode amar assim, amar quem não merece, amar quem não quer ser amado, amar, ser rejeitado, e continuar amando. Esse é o amor de Deus. Essa é a verdadeira Páscoa. A celebração da vida, e vida eterna. Não ovos, não coelhos, não chocolate. Mas Cristo.