sábado, 10 de julho de 2010

Um pastor, um rei...

"Disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás pena de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche um chifre de azeite e vem; enviar-te-ei a Jessé, o belemita; porque, dentre os seus filhos, me provi de um rei." - I Samuel 16:1

Muitos conhecem Davi por ter derrotado o gigante Golias. Outros o conhecem pelo relacionamento extra-conjugal que teve com Bate-Seba. Outros ainda o lembram como pai de Salomão. Mas nem todos sabem como tudo começou.

Davi era o mais novo dos oito filhos de um homem chamado Jessé. Ninguém sabia ainda, mas Deus o havia escolhido para ser o rei. E enviou o profeta Samuel para dar essa notícia à família. Quando Jessé soube disso, mandou chamar seus filhos e um a um, a partir do mais velho, foram levados a Samuel.

O profeta de Deus até que se animava quando via os belos e fortes rapazes. Inclusive, ao ver o primeiro, Eliabe, pensou logo: "Certamente, está perante o Senhor o Seu ungido". Mas Deus logo mostrou que não era aquele, dizendo a Samuel: "Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração" (I Samuel 16:7).

E assim, um a um os filhos passavam, e Samuel dizia: "Não é este". Por fim, não restava mais ninguém. E Samuel perguntou a Jessé se ainda havia outro filho, pois a nenhum daqueles o Senhor havia escolhido. E sim, havia outro. O mais novo, que era pastor e se chamava Davi.

Sempre que chego nessa parte da história, lembro de Cinderela. Quando o príncipe chegou na casa em que ela morava com sua madastra e meias-irmãs, claro que a madastra falou que não havia mais ninguém porque não queria que uma pobre escrava fosse princesa no lugar de suas filhas. No caso de Jessé, talvez ele não imaginasse que Deus escolheria justo o mais novo, mais franzino, um simples pastorzinho. Mas foi o que Deus fez. Quando Davi entrou, o Senhor disse a Samuel: "Levanta-te e unge-o, pois este é ele. Tomou Samuel o chifre do azeite e o ungiu no meio de seus irmãos; e, daquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apossou de Davi" (I Samuel 16:12-13).

Às vezes, pensamos que não somos ninguém. Não temos importância, não valemos a pena, nem nossos pais "botam fé" em nós. E isso vai fazendo nossa autoestima cair até chegarmos no fundo do poço. Mas a verdade é que, quando Deus quer nos usar, ele não se importa com o que os outros pensam. Não importa se o acham muito fraco, muito simples, muito bobo. O homem vê o que está por fora; só Deus pode ver o que está dentro de cada um de nós. Por isso, não pense de si o que os outros pensam, mas procure ver como Deus vê. Peça a Ele essa capacidade. Não para se tornar arrogante, e sim para dar a si mesmo o valor que tem. Lembre-se disto: onde o homem vê só um pastor, Deus enxerga um rei...

sábado, 26 de junho de 2010

Ascendência de Cristo - final

Não poderia falar de todas essas mulheres tão maravilhosas e tão parecidas conosco sem fazer um "fechamento" do assunto.

Nós sempre imaginamos que as pessoas que se dizem cristãs ou que tenham algum tipo de crença em um Ser Superior sejam "perfeitas". Quando vemos um político ser acusado de corrupção, achamos normal. Quando alguém fala que o juiz é ladrão, num jogo de futebol, rimos daquilo, e pensamos: "todos são", especialmente quando seu time do coração foi o prejudicado pela má arbitragem. Mas quando se fala de um "crente" que comete erros, nós nos espantamos.

De certa forma, é normal o assombro. Afinal, o crente é aquela pessoa que está sempre aprendendo aos pés de Jesus, está sempre lendo a Bíblia e vendo o que é certo e o que é errado. E se não está fazendo essas coisas, deveria. Então, ele vai sempre agir da forma mais correta possível, e provavelmente nunca vai cometer erros.

Deveria ser assim, mas não é. Todos nós, creiamos em Deus ou não, somos pecadores por natureza. Temos uma natureza pecaminosa, que tende ao erro constantemente. Não foi à toa que Isaías disse: "Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como um vento, nos arrebatam" (Isaías 64:6). Um tanto forte, não? Forte, mas verdadeiro. Somos pecadores, queiramos ou não. E mesmo quando nos voltamos a Deus e clamamos a Ele, mantemos comunhão constante, diária, lemos a Bíblia e oramos, em busca de santificação - que vem dEle apenas e não de nada que façamos - nós continuaremos a ser pecadores.

Por isso, quando tentado a esperar perfeição de um crente ou de qualquer personagem bíblico, olhe para si mesmo, e veja como você realmente é. Não estou aqui querendo desculpar os erros de ninguém, mas sim tentando fazer que você entenda quão gratos devemos ser porque as mulheres da ascendência de Cristo eram tão falhas. Se Deus tivesse colocado ali apenas mulheres "perfeitas", isso significaria pelo menos duas coisas: 1) Ele só aceita as perfeitas para tomarem parte na Sua obra terrestre, e 2) nós não teríamos qualquer identificação com elas. Seriam como semi-deusas, cujas histórias iríamos apenas admirar, mas nunca nos serviriam de inspiração, pois seriam totalmente diferentes das nossas.

Mas louvado seja Deus que é o contrário. Ele colocou mulheres imperfeitas, como nós. Mentirosas, incompreensivas, com um passado que gostariam de esquecer... Quis nos mostrar que nos aceita como somos, e usa-nos, ainda que sejamos pecadoras, para fazer coisas maravilhosas acontecerem. Graças a Deus que Ele chamou mulheres e homens com os quais podemos nos identificar. Graças a Deus que podemos ter certeza de que Ele é capaz de nos usar e ainda nos transformar - não importando qual tenha sido nossa vida pregressa - para que sejamos aquilo com que Ele sempre sonhou.

Essa série de reflexões acaba aqui. Mas que nós nunca nos esqueçamos dos exemplos de Tamar, Raabe, Rute, Bate-Seba e Maria. Mulheres como nós, mas que se permitiram usar pelo Senhor, tornando-se canais para a salvação dos homens. Que esse seja o seu e o meu desejo: servir, ainda que pecadores.

sábado, 12 de junho de 2010

Ascendência de Cristo - parte V: Maria

“E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo. ” (Mateus 1:16)

Chegamos à última mulher mencionada na genealogia de Jesus: sua própria mãe. De todas as mulheres que vimos até agora, ela talvez seja a que pareça a mais pura, a mais "perfeita". Afinal, ela não teve relações sexuais com o sogro, não pertencia a um povo pagão e idólatra, não era adúltera e muito menos prostituta.

Realmente, todos os indícios apontam para uma moça especial. E isso soa até óbvio, porque Deus não escolheria qualquer uma para gerar o Messias. Deveria ser alguém que O conhecesse e temesse, e estivesse sempre buscando a Sua vontade.

Maria, como todo povo judeu, esperava pelo Messias. Ela sabia que ele nasceria de uma virgem: “Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel” (Isaías 7:14). Todo o povo de Israel sabia disso, pois conhecia a profecia de Isaías. Mas veja o que aconteceu quando o anjo Gabriel foi avisá-la do que aconteceria:
“[E]ntrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação. Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim. Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lucas 1:28-35).
Ora, se Maria sabia que o Cristo nasceria de uma virgem, e o anjo estava lhe dizendo que ela seria a mãe dEle (Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim), por que o espanto, ao constatar que ela não tinha "relação com homem algum"?

Maria podia estar familiarizada com as escrituras, mas na hora H, vacilou. Porém, isso não durou muito. Logo aceitou o chamado a ela feito, e pronunciou algumas das palavras de entrega mais belas da Bíblia: “Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra”(Lucas 1:38). Maria foi muito corajosa, pois naquela época, se uma mulher engravidasse sem ser casada, ela seria apedrejada. Mas Maria nada temeu, pois entendeu que podia confiar no Seu Senhor.

A escritora Ellen White nos dá um vislumbre de como eram os pensamentos de Maria, quando Jesus já era adulto:
A vida de Cristo foi assinalada pelo respeito e o amor à Sua mãe. Maria acreditava em seu coração que a santa Criança dela nascida, era o tão longamente prometido Messias; não ousava, entretanto, exprimir essa fé. Foi, através de sua existência terrestre, uma partilhadora dos sofrimentos do Filho. Com dor testemunhava as provações que Lhe sobrevinham na infância e juventude. Por justificar o que sabia ser direito em Seu procedimento, via-se ela própria em situações difíceis. Considerava as relações domésticas, e a terna solicitude da mãe em torno dos filhos, de vital importância na formação do caráter. Os filhos e filhas de José sabiam isto e, prevalecendo-se de sua ansiedade, procuravam corrigir as atitudes de Jesus segundo norma deles.

Maria argumentava muitas vezes com Jesus, e insistia em que se conformasse com os usos dos rabis. Ele, porém, não podia ser persuadido a mudar Seus hábitos de contemplar as obras de Deus e buscar aliviar os sofrimentos dos homens ou mesmo dos mudos animais. Quando os sacerdotes e mestres solicitavam o auxílio de Maria em dirigir Jesus, ficava grandemente perturbada; o coração tranqüilizava-se-lhe, porém, quando Ele lhe apresentava as declarações das Escrituras em apoio de Seu proceder.

Por vezes ela vacilava entre Jesus e Seus irmãos, que não criam ser Ele o Enviado de Deus; no entanto, abundantes eram as provas de ser divino o Seu caráter. Ela O via sacrificar-Se pelo bem dos outros. Sua presença criava em casa uma atmosfera mais pura, e Sua vida era como um fermento operando entre os elementos da sociedade. Puro e incontaminado, andava entre os excluídos, os rudes, os descorteses; entre injustos publicanos, ímpios samaritanos, soldados pagãos, rústicos camponeses e a multidão mista. Dirigia aqui e ali uma palavra de simpatia, ao ver criaturas fatigadas, vergadas ao peso de duras cargas. Partilhava de seus fardos, e revelava-lhes as lições que aprendera da natureza acerca do amor, da benevolência e bondade de Deus (Ellen White, O Desejado de todas as nações, p. 91).
Maria não era perfeita, como alguns de nós poderíamos pensar. Não quero dizer com isso que ela era uma mulher má, presunçosa, orgulhosa, ou qualquer coisa parecida. Aliás, qualquer tipo de desrespeito à lembrança dela é desprezível, pois para Deus cada filho Seu tem valor. Apenas precisamos desmistificar algo que muitos têm como certo: Maria não era santa, pelo menos, não como muitos entendem o "ser santa". Ela não era isenta de pecado, imaculada, como se imagina. Ela era pecadora como todos nós. Tinha seus defeitos, como acabamos de ver, mas também possuía muitíssimas qualidades.

Jesus nos advertiu quanto a qualquer tipo de possível idolatria que poderíamos desenvolver em relação àquela que foi Sua mãe terrestre. Disse Ele, quando algumas pessoas vieram lhe dizer que sua mãe e seus irmãos o procuravam, "[Q]ualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe" (Marcos 3:35). Jesus aqui queria nos mostrar que, qualquer que faz a vontade de Deus, tem para Ele o mesmo valor que tinham Seus parentes. Doutra feita, quando uma mulher disse que eram bem-aventurada aquela que O havia concebido e os seios que O haviam amamentado, Ele respondeu: "Antes, bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!" (Lucas 11:28). Jesus nos mostra que quem quer que guarda os ensinamentos de Deus é bem-aventurado, e não alguns poucos escolhidos.

Maria foi alguém muito especial, e essa meditação, como nenhuma das outras desta série, não teve o objetivo de depreciá-la, muito pelo contrário. Mas devemos nos lembrar de que ela era como nós, nem melhor, nem pior. Tinha seus defeitos, e também suas qualidades. E é por isso mesmo que devemos nos alegrar de ela estar na genealogia de Cristo. Deus escolheu não pessoas "perfeitas", mas aquelas bem semelhantes a nós, cheias de problemas, dúvidas, fracassos, pecados, com o intuito de nos mostrar que Ele nos aceita como somos, e é capaz de operar verdadeiros milagres em nossas vidas e de nos usar para tomarmos parte em Sua santa obra.

Não quer você ser como Maria e dizer "sim, Senhor, quero que cumpras em mim o objetivo que tens, que eu possa ser instrumento Teu para a alegria de outros!". Não se acha digno? Nem Maria nem qualquer outra das cinco mulheres o era. Mas tenha isso em mente:

“pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. ” – I Coríntios 1:27-28

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ascendência de Cristo - parte IV: Bate-Seba

“Davi mandou perguntar quem era. Disseram-lhe: É Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu.” (II Samuel 11:3)

Continuando a genealogia de Cristo, quero falar hoje sobre a quarta mulher mencionada. Mateus não diz o nome de Bate-Seba, mas fala “o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias;” (Mateus 1:6). Sabemos, então, que se trata dela, pelo texto de II Samuel.

É outra de quem não se fala muito. Apenas sabemos seu nome, que significa “filha de um juramento”, e que era casada, quando foi vista por Davi, banhando-se. Vista e logo desejada.

Não sabemos por que Bate-Seba resolveu tomar banho naquele horário e ainda mais de forma tão exposta que foi vista do terraço da casa real. O que sabemos é que o rei Davi a desejou, e mandou chamá-la. Logo em seguida, a Bíblia fala que se “ela veio, e ele se deitou com ela” (II Samuel 11:4).

Realmente não há como saber se havia alguma forma de Bate-Seba negar aquele “convite”. Ela poderia sofrer alguma penalidade por não obedecer ao rei, é verdade. Não sabemos se ela foi feliz da vida, ou somente porque era “obrigada”. Não sabemos se o que ela fez foi para provocar o rei, ou se foi apenas ingênua. O que sabemos é que aquilo foi errado. Foi adultério. E de uma coisa podemos ter certeza: tanto Davi como Bate-Seba sabiam que estavam cometendo algo impuro aos olhos de Deus. Ainda mais quando pensamos que, enquanto eles faziam aquilo, o esposo de Bate-Seba, Urias, estava nos campos de batalha, lutando pelo reinado de Davi. Davi este que fez com que Urias fosse colocado em posição tal que morreria rapidamente.

Adúltero e assassino. Esse era o Davi naquele momento. Adúltera, era assim que poderíamos denominar Bate-Seba naquela situação em que se encontrava. E ainda assim, tiveram a honra de ser antepassados do Cristo. É estranho, para não dizer terrível, para muitos ver que essas pessoas acabaram sendo lembradas dessa maneira, ou seja, como aqueles cuja linhagem levou a Jesus.

Mas, paremos um pouco e pensemos em nós: somos mesmo tão melhores que Davi e Bate-Seba naquela situação? Sim, porque depois se arrependeram e voltaram ao que era correto. Casaram-se e tiveram Salomão como filho, o homem mais sábio que já existiu na face da Terra. Mas, voltando à pergunta: somos melhores que eles? Somos isentos de pecado? Somos “perfeitos”? Sabemos a resposta. Nós, mesmo que sejamos crentes há anos, somos tão pecadores e impuros quanto foram Davi e Bate-Seba. E o que a Bíblia diz de nós? “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus” (I João 3:1). Merecíamos isto? Não, nem antes nem agora. Somos maus e pecadores, mas Deus nos chama de filhos.

Que você, ao ler sobre Bate-Seba na genealogia de Cristo, não fique indignado de ver ali uma pecadora, mas louve a Deus pelo Seu tão grande amor por nós, “a ponto de sermos chamados Seus filhos”.

“Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias;” – Mateus 1:6, genealogia de Cristo.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Qual a verdade, afinal?

Hoje li a seguinte frase no Twitter de um amigo: "Existem 10 mandamentos para tudo e o único que brigam que virou 9 é o bíblico."

Interessante esse pensamento. Vemos isso por aí. São "os dez mandamentos" para uma vida feliz, "os dez mandamentos" para uma alimentação saudável, "os dez mandamentos" para um casamento perfeito...e por aí vai. Mas na hora de encarar os mandamentos de Deus, aí parece que só existem nove mesmo. Duvidam?

A grande maioria dos cristãos evangélicos diz que não precisamos mais guardar os mandamentos. Que Jesus os aboliu quando morreu na cruz. Interessante. Mas eles mesmos não matam, não roubam, não adulteram... Acham que tudo isso é errado e contrário aos ensinamentos bíblicos. E estão certos! Mas quando questionamos: "E por que vocês não guardam o Sábado, como orienta o quarto mandamento?", eles logo respondem: "Porque Jesus mudou o dia de guarda".

E assim é sempre inventada uma nova desculpa. Ora a lei foi abolida, ora foi modificado apenas um mandamento. Qual é a verdade afinal? Por que não se chega a um consenso? Foram os dez mandamentos realmente abolidos? Ou só foi o quarto? Acredito que nem mesmo eles saberiam responder a essas perguntas.

Mas não tem importância. A Bíblia responde. E ela diz:

"No sétimo dia Deus acabou de fazer todas as coisas e descansou de todo o trabalho que havia feito. Então abençoou o sétimo dia e o separou como um dia sagrado, pois nesse dia ele acabou de fazer todas as coisas e descansou." (Gênesis 2:2-3)

"Guarde o sábado, que é um dia santo." (Êxodo 20:8)
Depois, no Novo Testamento, não vemos qualquer referência a uma mudança do dia de guarda. Pelo contrário! Jesus confirma a importância do Sábado, ensinando-nos a guardá-lo (respeitá-lo, santificá-lo) da forma correta:
"É, por conseqüência, lícito fazer bem nos sábados." (Mateus 12:12)

"E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão, a qual há dezoito anos Satanás tinha presa?" (Lucas 13:16)

"Porque o Filho do homem até do sábado é Senhor." (Mateus 12:8)
Inclusive, o próprio Jesus guardava o Sábado:
"E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler." (Lucas 4:18)
Você não acha que, se Ele tivesse realmente mudado o dia de guarda para o domingo, teria deixado isso bem claro em Sua palavra? Ou teria usado a palavra "domingo" no lugar de "sábado" nos textos que mencionei? Quando os fariseus fossem condená-lO por fazer curas aos sábados, Ele simplesmente poderia ter dito: "Não meus amigos, eu curo no Sábado porque este não é mais um dia santo. Agora o dia a ser lembrado é o domingo!" Mas não foi isso que Jesus fez...

E não foi porque Ele não mudou Seus mandamentos. Eles continuam os mesmos, do 1º ao 10º. E se você guarda os outros nove, por que não guardar o quarto também? Lembre-se:
"O SENHOR Deus diz: “Obedeçam às leis a respeito do sábado; não cuidem dos seus próprios negócios no dia que para mim é sagrado. Considerem o sábado como um dia de festa, o dia santo do SENHOR, que deve ser respeitado. Guardem o sábado, descansando em vez de trabalhar; não cuidem dos seus negócios, nem fiquem conversando à toa. Se me obedecerem, eu serei uma fonte de alegria para vocês e farei com que vençam todas as dificuldades; e vocês serão felizes na terra que eu dei ao seu antepassado Jacó. Eu, o SENHOR, falei”" (Isaías 58:13-14).
Que essas bênçãos sejam realidade em sua vida! Vale a pena seguir a vontade do Senhor...

Música Um Dia de Esperança from Igreja Adventista on Vimeo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Aquela mulher junto ao poço

“Quem beber desta água tornará a ter sede” (João 4:13)

Tentando responder a um questionamento de um companheiro do jornadear cristão, volvi meus olhos mais uma vez à tão conhecida história de Jesus e a mulher samaritana (João 4:1-42).

Jesus, diferente dos homens de sua época, não se importava de conversar com mulheres (mesmo que essas não fossem tão “santas” como se esperava das mulheres naquela época), muito menos com samaritanos – inimigos declarados dos judeus, dos quais Jesus fazia parte. Nessa história, desde o começo vemos que Jesus não dava qualquer importância a preconceitos e tradições infundadas. Primeira lição a aprender...

Depois, ao continuarmos lendo o texto, vemos que Jesus pede água à mulher, ao que ela responde: “Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana (porque os judeus não se dão com os samaritanos)?” (João 4:9). E Jesus diz: “Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” (João 4:10). É como se Ele dissesse que não Se importava nem um pouco com convenções humanas, e que o que Ele tinha para dizer era bem mais importante. Creia, se você sentir que Deus está falando, não comece a criar empecilhos, o que Ele tem a dizer é importante, e você precisa ouvir.

A princípio, notamos que a mulher não entende bem o que Jesus quer dizer. Pensa que Ele estava falando da água comum, H2O, que bebemos todos os dias. Mas Jesus pediu água apenas como um pretexto para falar com ela sobre coisas maiores e mais importantes. E logo revela a que veio: diz à mulher que sabia que ela não era casada, e que já havia tido cinco maridos. Surpreendeu aquela mulher, revelando coisas que Ele não podia saber, a não ser que fosse ao menos um profeta, como a mulher constatou logo. Conquistando dessa forma a atenção total daquela samaritana, Jesus se mostra como o Messias esperado também pelos inimigos dos judeus. A partir daí, aquela mulher torna-se uma missionária, convidando todos a quem podia para conhecerem o Cristo vivo.

Mas talvez o momento mais importante desse relato não tenha sido este, e sim quando Jesus disse: “Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (João 4:13-14). Como a mulher, podemos nos perguntar: que água é essa que mata a sede para sempre? Essa água é a vida plena que só Jesus pode dar. A paz, a plenitude, a felicidade, a confiança, que só existem naquele que realmente recebe a Fonte de águas vivas, Jesus. O mundo nos traz muitas aflições, medos e angústias. Sentimos um vazio que nada nem ninguém consegue preencher. Mas quando recebemos dessa “água”, isso desaparece. Esse vazio vai embora, pois é preenchido por Cristo. Não importa quantos “desertos” tenhamos que atravessar, pois o nosso “cantil” estará sempre cheio. Se tivermos Jesus em nossa vida, não mais sentiremos essa sequidão em nosso coração, porque Jesus é a Água Viva, que hidrata e nunca se acaba.

Mas não é só isso: essa água é tão abundante que pode ser distribuída a outros. Quando uma pessoa decide aceitar Jesus em sua vida, ela agora passa a espalhar alegria e paz por onde vai. Foi o que aconteceu com a mulher. Ela avisou a todos que conhecia que tinha finalmente encontrado o Messias. Essas pessoas foram ver Jesus, e depois passaram a crer não porque a mulher tinha falado, mas porque eles mesmos tinham-no visto e reconhecido como Salvador...

Para terminar, um texto da escritora americana Ellen White:
“Aquele que busca matar a sede nas fontes deste mundo, beberá apenas para tornar a ter sede. Por toda parte estão os homens descontentes. Anseiam qualquer coisa que lhes supra a necessidade da alma. Unicamente Um lhes pode satisfazer essa necessidade. O que o mundo necessita é "o Desejado de todas as nações", é Cristo. A divina graça que só Ele pode comunicar, é uma água viva, purificadora, refrigerante e revigoradora da alma. (...)Essa mulher representa a operação de uma fé prática em Cristo. Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário. Aquele que bebe da água viva, faz-se fonte de vida. O depositário torna-se doador. A graça de Cristo na alma é uma vertente no deserto, fluindo para refrigério de todos, e tornando os que estão prestes a perecer, ansiosos de beber da água da vida.” (Ellen White, O Desejado de Todas as Nações, págs. 187 e 195)

sábado, 1 de maio de 2010

Ascendência de Cristo - parte III: Rute

Hoje vamos falar da terceira mulher citada na genealogia de Jesus: Rute. Essa realmente é uma história especial.

Rute não era israelita. Se fosse hoje, poderíamos dizer que não era cristã. Ela era moabita e adorava outros deuses. Porém, casou-se com um homem cuja família conhecia o Deus verdadeiro. Esse homem tinha mais um irmão, que também se casou com uma moabita. Porém, ele, seu irmão e seu pai morreram. Noemi, a mãe do rapaz, decidiu voltar para Judá, e disse às suas duas noras, Rute e Orfa, que voltassem a seu povo. Que lá encontrassem novos maridos e fossem felizes, com as bênçãos de Deus. Foi um momento muito triste. Depois de muito choro, Orfa decidiu voltar para a casa de seus pais. Mas Rute não. Rute fez o inesperado e decidiu ir com sua sogra. E é nesse momento da história em que vemos algumas das mais belas palavras citadas na Bíblia. Rute diz:
Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o SENHOR o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti. (Rute 1:16-17)
E com essas palavras Rute dá uma reviravolta em sua vida. É exatamente em momentos assim, complicados, que muitas vezes Deus escolhe agir de forma ousada nas nossas vidas. Elas mudam de uma forma estranha, mas sempre para melhor, porque Ele só quer a nossa felicidade.

No local em que foi morar com a sogra, Rute conheceu um bondoso homem chamado Boaz. Eles se casaram, e do casamento nasceu Obede, avô do rei Davi. E da descendência de Davi veio Jesus.

A história de Rute tem muitas lições maravilhosas para nós. Uma delas é que Deus não se importa se você não creu sempre nEle, não se importa se você nem sempre andou em Seus caminhos. Para Ele o importante é que você esteja com Ele hoje, agora. Mas a maior lição é que, quando decidimos seguir o Deus verdadeiro, não importa quão destroçada esteja nossa vida, Ele é capaz de transformar tristeza em alegria, pesar em prazer, maldição em bênção. Foi isso que o Senhor fez na vida de Rute e fará na sua e na minha, se assim permitirmos.

“Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé; Jessé gerou ao rei Davi” – Mateus 1:5-6, genealogia de Cristo
Related Posts with Thumbnails